Uma pesquisa do Instituto DataSenado revelou que homens até 39 anos com ensino médio completo são os principais usuários de aplicativos de apostas esportivas no Brasil. Intitulada “Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento”, a análise indica que 13% dos brasileiros com 16 anos ou mais, o equivalente a 22,13 milhões de pessoas, participaram de apostas nos últimos 30 dias. O levantamento, divulgado em 1º de outubro, destaca que 62% dos apostadores são homens, enquanto as mulheres representam 38%. A faixa etária predominante entre os apostadores é de 16 a 39 anos, seguido por grupos de 40 a 49, 50 a 59, e 60 anos ou mais.

Em termos de escolaridade, 40% dos apostadores possuem ensino médio completo, 23% têm ensino fundamental incompleto e 20% possuem ensino superior incompleto ou mais. Do ponto de vista econômico, a maioria dos apostadores exerce alguma atividade remunerada, enquanto 27% estão fora da força de trabalho e 5% se declaram desocupados. A maior parte dos apostadores recebe até dois salários mínimos mensais, com uma pequena porcentagem ganhando acima de seis salários mínimos. A pesquisa também revelou que a maioria dos apostadores gastou até R$ 500 em apostas, com apenas 3% desembolsando valores maiores.

A pesquisa também abordou o impacto social e econômico das apostas esportivas. Um dado preocupante é que 58% dos apostadores estão com dívidas em atraso há mais de 90 dias, refletindo um cenário de endividamento associado ao uso de bets. O estudo foi conduzido entre 5 e 28 de junho, por meio de entrevistas telefônicas com 21.808 pessoas. Desde 2008, o “Panorama Político” avalia a opinião pública para orientar a atuação parlamentar e medir percepções sobre a democracia e temas relevantes no país.

A legalização das apostas esportivas online no Brasil ocorreu através da Medida Provisória 846/2018, convertida na Lei 13.756/2018, e regulamentada pela Lei 14.790/2023. Esta legislação estabelece a tributação de empresas e apostadores, além de definir regras para exploração do serviço e distribuição da arrecadação. As empresas podem reter 88% do faturamento bruto, enquanto os 12% restantes são destinados a áreas como educação, saúde e segurança pública. Apesar da regulamentação, o crescimento das apostas tem gerado preocupações devido ao impacto econômico negativo, levando o governo a planejar um endurecimento das regras para mitigar danos sociais e econômicos.