O caso segue na Justiça e defesa aguarda pedido para anular o processo
O estudante de medicina Marcelo Mafra Coelho, detido em abril deste ano por filmar o corpo de mulheres, foi punido com cinco dias de suspensão pela comissão de sindicância instaurada pela Famerp. Entretanto, Marcelo perdeu o ano letivo por excesso de faltas. O caso segue sendo investigado na Justiça por uma ação criminal.
Tudo começou em 2017, quando Marcelo foi proibido de usar o celular dentro do campus depois de ser acusado por uma colega de filmar o corpo da aluna. Em abril deste ano, ele foi detido pela Polícia Militar ao ser acusado de filmar o corpo de mulheres e alunas da faculdade que passavam nas imediações do Hemocentro. Notebook e celular apreendidos pelos policiais continham vídeos semelhantes. Com as denúncias, uma comissão de sindicância foi aberta e vem sendo acompanhada desde então pelo advogado Edlênio Xavier, contratado pelo estudante. Estudantes da faculdade chegaram a fazer protesto contra os atos do aluno.
Segundo a faculdade, a defesa “usou todos os recursos possíveis para defender o estudante”. O edital com a suspensão foi publicado no Diário Oficial do Estado e, segundo nota encaminhada pela assessoria de imprensa da Famerp, a suspensão foi aplicada com a publicação.
Após ser detido, o estudante apresentou atestado médico psiquiátrico de que não tinha condições de frequentar as aulas. Com isso, pôde continuar o curso em regime domiciliar por 70 dias. Após o prazo, no entanto, segundo a faculdade, o aluno não compareceu mais às aulas e foi reprovado por faltas. Para retomar o curso, ele terá de iniciar novamente o 2º ano, segundo a Famerp.
O diretor geral da Famerp, Dulcimar Donizeti de Souza, afirmou que apenas assinou a portaria e preferiu não comentar a decisão. O diretor de alunos, Kazuo Nagamine, informou que a comissão também sugeriu a formalização de uma advertência e a continuidade do acompanhamento psicopedagógico. Sobre a suspensão, o diretor afirmou que foi em caráter doutrinário. A respeito da apuração judicial, o advogado afirmou que aguarda decisão do TJ sobre habeas corpus pedido pela defesa para anular o processo, “por entender que houve violação ao ter acesso ao notebook e ao celular sem prévia autorização judicial. Entendo que poderia ter apenas apreendido”, finalizou.
Marcelo também foi alvo de investigação por suspeita de fraude no sistema de cotas da Famerp. Ele entrou para a faculdade com diploma de escola pública dos Estados Unidos revalidado no Paraná. O inquérito foi arquivado pelo Ministério Público, por entender que no edital não havia nenhuma exigência de que a escola pública teria que ser brasileira.
Atualizado em 7 de julho de 2021, às 21:43