Relatório final afirma que quebra de sigilo bancário não comprovou denúncia contra vereadora de Rio Preto; Ministério Público irá analisar o resultado da apuração para emitir parecer sobre o caso
Relatório final do inquérito da Polícia Civil de Rio Preto, que apurou denúncia de suposto esquema de rachadinha no gabinete da vereadora Cláudia de Giuli (MDB), não encontrou indícios de devolução de parte de salário de assessores ou ex-assessores da parlamentar. À prática é conhecida como rachadinha.
A investigação teve início no ano passado com base em declarações dadas à polícia por um ex-assessor sobre a suposta irregularidade. Em outubro do ano passado, a juíza da 1º Vara Criminal de Rio Preto, Luciana Cochito, autorizou quebra de sigilo bancário da vereadora, de sua filha e, ainda, de assessores e ex-assessores. No total, nove pessoas tiveram sigilo bancário quebrado por decisão judicial.
O delegado Wander Luciano Solgon apontou não haver provas conclusivas contra a parlamentar. “Considerando o conjunto probatório existente nos autos, não se coletaram provas conclusivas para fundamentar o indiciamento da investigada”, consta no relatório final, protocolado nesta quinta-feira, 14, na Justiça de Rio Preto. O relatório agora segue para parecer do Ministério Público.
Assessores ouvidos pela polícia negaram a suposta irregularidade, assim como a própria vereadora.
A quebra de sigilo bancário “não encontrou indícios de que tenham havido transferências de valores entre as contas dos assessores para a conta de Cláudia ou de sua filha”. A apuração teve início a partir de declarações à polícia do ex-assessor da parlamentar Thiago Passos de que haveria repasses para projetos de proteção animal, bandeira política da vereadora. O que ocorria, segundo ele, sem prestação de contas. A polícia recebeu dados bancários de sete assessores ou ex-assessores, da própria vereadora e de sua filha Ana Elisa. À determinação foi para avaliação de dados de 2017 até setembro do ano passado.
Apesar de um dos assessores ter afirmado que ocorria no gabinete participação voluntária para arrecadação de valores para aplicação no cuidado com animais, a afirmação não foi corroborada pelos demais ex-funcionários ouvidos pela polícia. O delegado ouviu sete ex-assessores ou assessores. Houve caso de funcionário que apontou arrecadações para compra de medicamentos veterinários em redes sociais, mas sem exigência de devolução de salários. Por outro lado, ainda foi apontado por assessor que desconhecia a suposta “vaquinha virtual”. A polícia apontou que os depoimentos eram inconclusivos e que a perícia dos dados bancários não encontrou provas da suposta irregularidade.
“Ante a inconclusividade da prova oral, restou a análise da prova decorrente da quebra de sigilo bancário da investigada, de sua filha e dos assessores. Esta não encontrou indícios de que tenham havido transferências de valores entres as contas dos assessores para a conta de Cláudia ou de sua filha Ana Elisa”, afirma o delegado no relatório.
Saques
A investigação identificou saques de ex-assessores nos valores de R$ 500 em dia de pagamento, mas isso teria ocorrido por pessoas que não estavam mais no gabinete da parlamentar. Ainda sobre a verificação de saques, o relatório aponta que não há como comprovar a denúncia de suposta rachadinha.
“Por sua própria natureza (saques em dinheiro), não haveria como rastreá-los e ligá-los com ainvestigada, salvo se os titulares das contas assim o dissessem, porém, esses, em suas oitivas, negaram esse repasse”, diz o relatório.
Depoimento
Cláudia de Giuli foi ouvida pelo delegado na terça-feira, 12. Assim como sua filha, ela negou a suposta devolução de valores. Classificou ainda a acusação de uma “mentira”. O relatório afirma que Cláudia disse que “por ter contatos com clínicas e locais de venda de produtos veterinários, quando efetuava compras para os animais que acolhia, os assessores que também tinham animais domésticos pediam para que comprasse tais produtos para eles também, para aproveitar o desconto oferecido pelos estabelecimentos”.
Depois, os assessores pagavam a ela, mas não existia, segundo o depoimento da parlamentar, exigência de devolução de salários. Procurada pela reportagem, a vereadora não respondeu sobre o relatório final.
O advogado da vereadora, Edlênio Xavier Barreto, disse que agora espera o arquivamento definitivo do caso. “A prova pericial é determinante para este caso e não aconteceram as transferências que foram apontadas. Vamos aguardar o Ministério Público e esperamos que o arquivamento seja homologado pela Justiça”, afirmou.
A defesa de Cláudia disse ainda que irá tomar providências contra o ex-assessor parlamentar Thiago Passos, que fez declarações na polícia sobre a suposta devolução. “Vamos adotar todas as medidas possíveis para que ele responda pelos atos praticados”. O Diário entrou em contato com Thiago, que disse que não iria comentar o assunto.